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Política - Resgate Democrático

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O mau uso da palavra democracia ao longo dos últimos anos parece ter nublado a percepção demonstrada pela maioria dos brasileiros, principalmente aqueles entre os vinte e os trinta anos de idade. Eram ainda adolescentes quando esta deturpação começou, de modo que hoje se mostram meio perdidos em seus julgamentos.

Resta claro, à vista das recentes notícias estampadas nas páginas políticas e policiais, que democracia não foi exatamente o que eles viveram durante os anos de sua formação para a vida adulta.

Não é democracia quando a maioria do Congresso Nacional é remunerada para atender as demandas do Poder Executivo sem o devido debate em busca de alternativas melhores. Também não podemos chamar de democracia a prática onde o Poder Judiciário é insistentemente provocado a se manifestar para dirimir questões nas quais o diálogo político falha.

Estas deturpações do processo político do Brasil ao longo de quase uma década e meia se reflete nas recentes pesquisas em que os cidadãos são provocados a opinar sobre o que pensam da política e seus representantes. Também na crescente onda de manifestações em favor de alternativas autoritárias como solução definitiva para os problemas do país. Há na imensa maioria de jovens a sensação de que a democracia brasileira falhou, quando na verdade ela sequer foi plenamente exercida.

O problema se agrava ante a nítida impressão de que a classe política brasileira também se encontra enredada de tal forma no jeito errado de fazer política, ao ponto de esforçar-se pela sua manutenção.

 Isso que os mais novos atribuem a velha política brasileira é na verdade resultado da exploração das excrecências do que há de pior no ser humano, que foi conscienciosamente explorado por quem conhece bem a fraqueza de caráter dos homens ante o poder e a riqueza, por compartilhar de tal fraqueza, e não deve de maneira nenhuma ser confundido com o verdadeiro processo democrático.

Se faz urgente no Brasil um trabalho de reeducação do povo e da classe política, onde se imponha a releitura dos clássicos que ao longo dos séculos serviram para consolidar no mundo civilizado a democracia como o melhor sistema para a solução dos crassos problemas de relacionamento entre os povos.

Antes ainda que se proponham quaisquer outras reformas, é preciso que se busque o resgate da democracia perdida em algum ponto do processo nestes últimos treze anos, sob pena de continuarmos a repetir os mesmos erros, vez após vez, até o ponto da total falência do atual sistema de governo com graves consequências para a necessária coesão da sociedade brasileira.

A fragmentação da sociedade que tem sido meticulosamente orquestrada recentemente, enquanto alimentada pelo fomento da ignorância, sob a falsa égide da democracia, só atende a agenda dos que se locupletam do enfraquecimento das instituições. Estes que estão infiltrados nas instâncias dos três poderes, arregimentando os descompromissados, aliciando os inconstantes e disseminando a discórdia.

Cabe a sociedade, unida em prol do bem comum, identificá-los e expurgá-los definitivamente da vida pública pelo exercício  do mais básico dos deveres impostos a nós pela democracia, como primeiro passo rumo a redenção de um sistema que, senão perfeito, ainda é comprovadamente o melhor que a humanidade pode conceber.

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