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Economia - O Fundo do Poço

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No final de 2015, até meados de 2016, muitos torciam para chegarmos logo ao fundo do poço, na esperança de que, não tendo mais para onde descer, começássemos a subir. Os mais pessimistas avisavam que seria bom não encontrarmos um lamaçal que nos prendesse no fundo por muito tempo.


Pois bem, cá estamos, subindo. Os indicadores positivos, quase todos podem encontrar explicação em algum cenário negativo, reforçando a ideia de que realmente batemos no fundo em algum momento.

O índice de preços ao consumidor medido em agosto apresenta deflação de -0,03%, reflexo da forte queda do consumo. A inexorável lei da oferta e da procura. Alto índice de desemprego, ninguém compra, o mercado baixa os preços para não quebrar. Desde 1994, quando se projetava uma inflação de 5.500% ao ano, aprendemos que inflação é muito ruim. Hoje o governo apresenta como uma vitória própria de suas políticas econômicas (como se fosse), ao mesmo tempo se ressente da queda na arrecadação devido justamente a baixa dos preços. Um pouco de inflação nesse caso seria bom.

O arrefecimento do desemprego é um bom indicador, mas... ainda muito tímido para se festejar. Dependendo da análise a situação ainda é desesperadora. Segundo dados do IBGE relativos ao trimestre junho/agosto, o desemprego caiu 4,8% em relação ao trimestre anterior, de 13,8 milhões para 13,1 milhões. Porém na comparação com o mesmo período do ano passado, tivemos um aumento de 1 milhão e 100 mil desempregados, isto é, um aumento de 9,1%. Ainda estamos tomando uma surra nesse quesito.

Alvissareiros mesmo são os números da balança comercial, ainda que também aí haja influência direta da crise. Batemos um recorde histórico para o mês de setembro desde 1989, alcançando o superavit de 5,178 bilhões, acumulando um total a mais de 53,283 bilhões de janeiro até agora. O superavit significa que estamos exportando mais do que importando. O lado meio vazio do copo é que estamos exportando mais porque não temos dinheiro para comprar importados. Isso significa menos investimentos em insumos e tecnologia, o que denota a estagnação da economia.

Os saudosos dos anos 60 e 70 devem se lembrar de quando se dizia que o Brasil era o celeiro do mundo. Isso se confirma ao conferirmos os números da produção agropecuária, principal responsável por este superavit e por ter segurado as pontas da economia no pior da crise. Resultados que poderiam ser infinitamente melhores, se nos últimos 10 anos não tivessem optado por ir atrás do ouro negro dos tolos em vez de ampliar os investimentos no setor. Os excelentes resultados são mérito quase exclusivo de nossos bravos produtores que insistiram quando todos corriam para o canto das sereias.

Mesmo a significativa alta das importações na casa dos 18% (7% a mais do que setembro do ano passado) foi puxada em parte pelo setor agrícola, com destaque para máquinas de terraplanagem, tratores, combustíveis e lubrificantes.

Somados todos os pontos negativos, a despeito do que dizem os que vêem o copo meio cheio, tecnicamente continuamos amargando a pior recessão como nunca antes na história deste país, com a expectativa de um crescimento em torno de 0,3%, o que na prática, né nada, né nada, não é nada mesmo. Principalmente se comparado ao que já foi prometido há alguns poucos anos.

Pelo menos não tem lama no fundo do poço.

Atualização:
No dia 11 de outubro o FMI aumentou a estimativa de crescimento de 0,3% para 0,7%, o que dá um pouquinho mais que nada.

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