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Justiça - Ministério do Espetáculo

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O que foi a exposição espetaculosa do Ministério Público Federal protagonizada pelo procurador Deltan Dallagnol neste dia 14 de setembro? Ele repercutiu publicamente a opinião de dez em cada dez pessoas que acompanha criticamente a evolução do governo desde as revelações do Mensalão. Todos esses acham mesmo que Lula seja o "General do Petrolão" e que um esquema de corrupção tão abrangente, que atingiu praticamente todas as esferas do poder estatal, não poderia acontecer sem o conhecimento e a participação ativa do Presidente da República.

Até porque existem instrumentos de fiscalização no Estado que tornariam quase impossível que tais ações durassem tanto tempo sem serem detectados pelo Executivo.


Mas há um problema sério nas alegações apresentadas por Dellagnol. Diferentemente do que acontece nas conversas entre as pessoas comuns que frequentam discussões políticas nas redes sociais, o Ministério público não pode sustentar um pedido de indiciamento perante um juiz federal com base em achismos. Opinião não vele num tribunal. O procurador terá de sustentar juridicamente, com provas documentais, todas as acusações que formulou perante as câmeras num arroubo injustificado e até perigoso de estrelismo.

Deltan Dallagnol e os procuradores que o acompanham na força tarefa da Lava-Jato acreditam finalmente terem resolvido o intricado caso de corrupção que assola o país há treze anos. E resolveram mesmo! Mas só na cabeça deles. Pelo menos esta é a impressão que passaram aos tantos quantos assistiram a exposição. Se não existirem os elementos fáticos que corroborem a opinião dos procuradores, eles terão cada argumento destruído pelos advogados de Lula e do Partido dos Trabalhadores. Pior, eles podem ter colocado em risco as próprias carreiras. Serão acusados de usar o cargo para fins politiqueiros, com o objetivo de apenas desacreditar um partido político perante a opinião pública.

Por mais que se torça e espere a justiça por fim a este episódio tenebroso da história nacional, com a devida condenação dos responsáveis, por convencida esteja de que seja tudo verdade, essa multidão não merece que se arrisque a perda de todo o processo por um capricho narcisista de jovens inexperientes, que parecem ter perdido a objetividade e a noção da importância do trabalho que estão executando.

Deram aos defensores do Partido dos Trabalhadores e do ex-Presidente Lula argumentos para sugerirem uma dúvida razoável no julgamento. O juiz precisa estar convencido de que, ao condenar quem quer que seja, esteja fazendo não somente o certo, mas o que é justo à luz do código penal.

A resposta dos advogados foi imediata. Fizeram parecer que os investigadores cansaram da Lava-Jato e querem que ela acabe logo. Cansaram de seguir pistas que invariavelmente os levaram a becos sem saída a cada vez que um fato promissor se apresentou. E que, para se livrar de trabalho tão penoso decidiram trazer à público aquilo de que ficaram convencido ao longo das investigações, mesmo não tendo encontrado as provas que esperavam.

Mas se os procuradores tiverem de posse de documentação e fatos objetivos que não foram revelados nesta apresentação, esqueçam tudo o que foi dito acima. A posse de provas que corroborem as graves acusações que foram lançadas hoje, que vá muito além do argumento retórico amparado em uma apresentação de "PowerPoint" e estejam sendo guardadas para o oportuno momento da denúncia formal, coroaria de êxito o trabalho dos intrépidos procuradores.

Mesmo assim, se as provas não eram para ser apresentadas agora e sim a juiz, a convocação dos jornalistas para uma coletiva de imprensa na tarde desta quarta feira, não vai escapar tão cedo da impressão de não ter passado de um espetáculo montado para dar uma satisfação, ainda que efêmera, ao respeitável público e a si mesmos. Esperemos pois que haja mais na cartola do que isso que foi apresentado hoje.

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