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Jornalismo - A Onça e a Infelicidade da Selfie

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Passada a justificada comoção geral pela morte da onça associada à passagem da tocha olímpica, surgem as versões oficiais que dificilmente serão alvo da mesma repercussão midiática dedicada ao trágico desfecho. Antes de qualquer coisa é preciso que as autoridades deixem claro à população que a presença das onças não fazia parte da programação da cerimônia. De acordo com nota oficial divulgada pelo Exército, por uma feliz ou infeliz coincidência, a história irá julgar, as duas onças estavam sendo transferidas para fazer exames de rotina no mesmo horário do evento.

Alguém da organização das olimpíadas teve a brilhante ideia que os condutores da tocha tirassem fotos ao lado dos animais, aproveitando que eles estavam ali naquele momento. Uma estratégia de marketing que pareceu inteligente na hora, mas não teve o final esperado.



Convém esclarecer como as onças vieram a fazer parte do verdadeiro acervo zoológico (clique) mantido pelo Batalhão de Infantaria de Selva (BIS). Os militares durante o patrulhamento e exercícios na selva recolhem os animais encontrados em condições de risco, muitas vezes feridos, outras vezes órfãos devido a ação predatória de caçadores. O Exército tem ainda acordo firmado com o IBAMA e recebe animais vindos de apreensões em situações de tráfico, por denúncia de maus tratos ou posse ilegal de animais silvestres e mantém mini-zoológicos com toda uma estrutura voltada ao tratamento e reabilitação destes animais com vistas a retornarem ao seu ambiente natural. Fato é que, ao dar abrigo e tratar estes animais, o Exército Brasileiro presta um inestimável serviço de proteção a fauna brasileira.

Isso é bem diferente da ideia que se formou, e foi amplamente divulgada nas mídias sociais, dando conta de que os animais seriam capturados com o fim precípuo de expô-los como troféus de caça, transformando-os em mascotes involuntários. Ocorre que, em alguns casos, após meticulosa avaliação de veterinários treinados e ambientados com a realidade da vida dos animais selvagens, podem chegar a conclusão que alguns animais não se ambientariam e jamais sobreviveriam em liberdade. Este era o caso de Simba e de Juma, esta última a onça que foi morta em legítima defesa, segundo depoimento das testemunhas do caso.

Após a sessão de fotos, e é bom que se repita que as fotos não estavam programadas como parte da cerimônia, as onças foram conduzidas para a jaula depois de submetidas aos exames rotineiros. Inadvertidamente ao serem retiradas as correntes para que ela entrasse na jaula, Juma teria escapado e, como parte dos procedimentos de recaptura, foi alvejada duas vezes com dardos tranquilizantes.

Aparentemente a picada dos dardos teve o efeito contrário do esperado e a onça tornou-se agressiva, tendo partido ameaçadoramente em direção a um dos militares que participava da operação de captura. Neste momento ela foi alvejada por um tiro de pistola.

Salienta-se nos comunicados oficiais que estes acontecimentos já não tinham nada a ver com a passagem da tocha olímpica, o que dá a entender que poderiam ter passado despercebidos da imprensa, ou não teriam a repercussão que tiveram não fosse pelas fotos tiradas durante a cerimônia.

Especialistas asseguram que lidar com animais selvagens é sempre uma operação de risco, por mais rotineira que possa se tornar. A onça poderia ter se soltado em qualquer das outras oportunidades em que houve os mesmos procedimentos para exames, em outras ocasiões. Mas calhou de acontecer quando alguém do Comitê Olímpico resolveu que ficaria bem tirar fotos ao lado dos animais. E daí toda a repercussão negativa do caso.

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