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Impeachment - Não Há Perdedores

manifestacoes
Quando 367 Deputados Federais e 55 Senadores da República acatam a instauração de um processo pelo qual se exige o afastamento da Presidente da República, a pedido de 3 cidadãos comuns respaldados no amplo apoio da população como ficou claro nas manifestações das ruas, especialmente por sabermos que a maioria dos Congressistas que votaram a favor do impeachment tem lá seus problemas a resolver com a justiça, forçoso é se reconhecer que a democracia venceu.


Democracia é o poder emanado do povo, não o que os políticos resolvem nos convescotes de reuniões a portas fechadas em seus gabinetes ou trancados em quartos de hotéis de luxo. Eles não resistiram a pressão que veio de fora. Prevaleceu acima da vontade dos políticos os desejos da maioria do povo. E quando a democracia vence, não há perdedores.

Mesmo os que agora se sentem derrotados, amanhã entenderão o que se passou nos últimos meses e se darão conta da poderosa arma que dispomos quando os políticos resolvem por conta própria abusar da fé pública para fazer o que lhes convém, abandonando o compromisso sagrado de cuidar das necessidades da nação. E se os administradores que agora assumiram tentarem ludibriar de novo a população, saibam que, aqueles que hoje apoiam a destituição da Presidente, se levantarão mais uma vez para cobrar explicações e os destituirão também se não forem convincentes.

Mais tarde os que hoje nos veem como adversários podem estar ombreados conosco exigindo o afastamento de qualquer outro político que coloque sua ambição acima dos interesses do país, dos Estados da Federação ou de qualquer Município. Porque nós podemos. E porque foi isso que aprendemos nos últimos dias. Votar não significa assinar uma procuração em branco para que os eleitos façam o que bem quiserem de seus mandatos. Eles também aprenderam, senão, aprenderão cedo ou tarde. Quando precisarmos exigir novamente nossos direitos como eleitores, eles hão de se ver e reconhecer que nós somos os reais signatários dos poderes emanados do mandato que lhes conferimos. Para fazer a nossa vontade, não a deles.

Diríamos que até o Partido dos Trabalhadores sai como vitorioso deste momento histórico. Ninguém que acompanha as idas e vindas da política poderia prever a permanência por tanto tempo de um partido que ascendeu ao poder sem trazer consigo um único programa de governo sequer.

Enquanto se manteve próximo das metas traçadas pelo governo que o antecedeu, o Partido dos Trabalhadores apresentou um dos melhores desempenhos da história. No entanto, aproveitando-se de seu relativo sucesso e da aprovação em massa da população aos resultados obtidos, mas sabedor que suas limitações administrativas mais à frente lhes cobraria a substituição por um governante mais capacitado, o Partido dos Trabalhadores usou das credenciais concedidas pelo povo para traçar um plano que os efetivaria no poder. Um plano envolvendo a compra de votos de Parlamentares e o desvio de verbas para sustentar negociatas escusas. Permanecer no poder por 13 ano,s apesar de suas claras limitações, pode ser contado como uma vitória a favor do Partido dos Trabalhadores. Mas não é a única.

O PT agora sabe que não se deve brincar com a confiança de um povo e que o voto de confiança dado não acompanha salvo conduto para fazer o que se quiser dele. Quando mais tarde o PT pensar em se apresentar novamente aos eleitores como uma alternativa viável a qualquer governo, deverá vir seguido de um programa de governo coerente, confiável e passível de ser posto em prática.

Todo aprendizado é uma vitória. O Partido dos Trabalhadores precisou aprender da maneira mais difícil. E, se não aprendeu, só temos que lamentar. A democracia não contempla derrotados.

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