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Religião - As Páscoas Que Jesus Comemorou

Santa_ceia_Páscoa
O nome Páscoa vem de Pessach, uma transliteração do idioma hebraico e que em grego se escrevia Paskha. É uma comemoração dos judeus que foi instituída há muito tempo, numa noite de Lua cheia, no dia 14 do mês de Nisã no calendário lunar dos hebreus. Naquela noite os hebreus teriam sido avisados por um profeta que eles seriam libertados do jugo dos poderosos egípcios.


O Egito dominava o mundo de então, desde que um longo período de severa escassez causado por secas prolongadas teria afetado a economia do mundo civilizado de então. Segundo a história narrada pelos hebreus, o Egito teria ascendido ao posto de potência mundial  não por seu poderio militar. Mas por terem sido avisados miraculosamente, por intermédio de um profeta hebreu, e tomado medidas para evitar a fome no país. Enquanto os demais países sofriam com os efeitos da seca, o Egito havia se preparado para a fome e prosperava. E teria sido assim, que o Egito chegou a dominar o mundo de então.

Através deste mesmo profeta hebreu que avisou ao rei egípcio da escassez, uma família de hebreus teria buscado e conseguido exílio no Egito, logrando assim sobreviver e se multiplicar. Ao longo de 400 anos aqueles hebreus descendentes do patriarca Abraão teriam se tornado uma grande multidão nas terras do Egito. Ao ponto de os egípcios passarem a considerá-los uma ameaça à soberania do país. Por isso o Faraó os tratava com mão de ferro, para mantê-los sob controle e para que eles jamais compreendessem a força ameaçadora que a imigração de seus antepassados se tornara para o Egito.

Contudo aconteceu de um dos descendentes daquela tribo ser criado dentro da corte real egípcia, passando a conhecer a história pelos dois lados. Este descendente de Abraão recebeu dos egípcios o nome de Moisés. E seu conhecimento histórico se tornaria fundamental para a libertação dos hebreus. Contam que na noite anterior ao êxodo hebraico, por ocasião da última praga do Deus hebreu contra os egípcios, os descendentes de Abraão foram orientados a matar e comer um cordeiro. Com o sangue deste cordeiro deveriam marcar as ombreiras de suas casas para que o anjo do Deus Jahweh não vitimasse. O sangue serviria de sinal para que ninguém na casa marcada sofresse os efeitos da praga que mataria a todos os primogênitos do país. É a este cordeiro sacrificado a cada dia 14 de Nisã desde então que os judeus chamaram de Páscoa.

Este dia foi proclamado na lei dos hebreus um dia de comemoração para que todos os hebreus se lembrassem a cada ano sobre como o Deus os teria de libertado da escravidão, livrando-os da morte. A comemoração da Pessach era então obrigatória por lei para todos os judeus, até mesmo para seus reis e profetas. Todos quantos estivessem sob a lei de Moisés deveriam comemorar a Páscoa.

Os evangelhos contam os últimos anos na vida de um hebreu que foi considerado por muitos o último profeta entre os judeus. Os relatos abrangem um período de três anos e meio, o que significa que aquele hebreu, cumprindo a lei de Moisés, teria de ter comemorado pelo menos quatro Páscoas neste intervalo de tempo.

A última Páscoa comemorada por Jesus é a mais rica em detalhes de modo que se tornou a mais conhecida entre os adeptos fora do judaísmo, que passaram a referir-se a ela simplesmente como Santa Ceia ou a Ceia do Senhor, dando o nome de Páscoa a um dia subsequente, quando os evangelhos alegam que Jesus teria sido ressuscitado.

É importante entender que no momento em que Jesus comemorava a ceia junto com seus discípulos centenas de milhares de judeus também estavam fazendo a mesma coisa em Jerusalém junto com suas famílias. Porque a Páscoa era um mandamento da Lei e portanto era obrigatório a todos os judeus e não apenas aos discípulos de Jesus. Os discípulos cuidaram dos detalhes da comemoração providenciando que um cordeiro fosse preparado segundo as instruções constantes na Lei de Moisés. Mas os seguidores de Jesus, inclusive seus familiares, provavelmente teriam feito os mesmos preparativos em todos os anos anteriores.

Nos evangelhos há indícios concretos de que Jesus teria estado em Jerusalém nos anos anteriores ao ano de seu martírio pelos romanos, exatamente na mesma época da comemoração da Páscoa pelos judeus.

A primeira referência de sua ida a Jerusalém por ocasião da Páscoa se daria ainda na infância de Jesus, quando ele teria doze anos de idade. O biógrafo, historiador e médico Lucas conta que nesta ocasião a família de Jesus subia anualmente a Jerusalém por ocasião da Páscoa, como era costume dos judeus, em cumprimento a Lei de Moisés. (Lucas 2:41)

Já no primeiro ano de seu ministério como profeta, quando Jesus teria então 30 anos e meio, o apóstolo João narra sobre sua presença em Jerusalém na Páscoa, quando ele teria expulsado pela primeira vez os mercadores do Templo (em João 2:13). No segundo ano, quando Jesus foi a Jerusalém comemorar a festividade dos judeus, João conta que Jesus teria curado um paralítico na cisterna de Betesda (João 5:1). No terceira ocorrência Jesus teria feito o milagre da multiplicação dos pães quando foi a Jerusalém comemorar a Páscoa (João 6:4).

Finalmente temos a mais conhecida das Páscoas (João 13 em diante) que aconteceu menos de 24 horas antes da execução de Jesus. Embora haja referências a muitas outras Páscoas comemoradas pelos judeus, não apenas no Novo como no Antigo Testamento, essa Páscoa em particular passou a ter uma grande relevância sobretudo entre os cristãos, embora a maioria não relacione corretamente o evento ao dia em que teria acontecido, nem seu real significado.

A Páscoa original narrada no livro do Êxodo, assim como seu significado, foram obliterados entre os crentes ocidentais. Para muitos esta Páscoa em particular vale mais do que qualquer outra.

No entanto, para o simbolismo contido nos evangelhos escritos pelos judeus que seguiram Jesus, o significado da Páscoa sempre foi um só e a execução de Jesus pelos romanos conforme enfatizada nas biografias tem tudo a ver com esta interpretação que os hebreus deram à Pascoa. Ela passou a simbolizar a libertação não apenas dos judeus, mas de todos dentre a humanidade que compreendessem o real significado desta comemoração.

A Páscoa significava um tempo em que o Messias, o Líder, seria posto à prova pelos líderes de sua época, o Templo do Deus não mais seria aviltado pelos mercadores da fé, quando os coxos voltariam a andar e os famintos seriam saciados em suas necessidades. E principalmente um tempo em que a morte não mais reinaria sobre a humanidade, porque segundo a crença daqueles hebreus, todos os mortos seriam ressuscitados um dia, assim como criam que o seu Messias teria voltado a viver.

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