Pular para o conteúdo principal

Choose Your Language - by Google

Jornalismo - Vazamentos Seletivos

rotor-cipher-machine-1147801_960_720
Já foi falado aqui sobre a necessidade de haver uma melhor colaboração entre o jornalismo investigativo e a polícia. O que há no Brasil é uma espécie de competição, uma guerra não declarada, da imprensa contra os órgãos de públicos, que incluem todo o sistema policial e o aparato do Estado. Quando a imprensa publica informações sigilosas sobre os inquéritos policiais, passa à população a impressão de que a polícia não está fazendo seu trabalho e que nada aconteceria se os jornalistas não publicassem o que tem sido descoberto. Mas é preciso que os jornalistas se imponham limites entre o dever de informar ao cidadão e o que pode ser interpretado como obstrução da justiça.


O Ministério Público e a Polícia Federal veio a público dizer que o vazamento de informações ligadas a 24ª fase da Operação Lava-Jato antes mesmo que ela fosse deflagrada atrapalharam a condução dos inquéritos policiais. E que se perderam oportunidades de elucidação de fatos essenciais ao andamento das investigações. É mesmo possível que o objetivo de todo o dispendioso aparato montado para a operação da última sexta feira tenha se perdido. Todos os envolvidos nos mandados expedidos pela justiça pareciam saber das intenções das equipes policiais. O que lhes permitiu destruir e ocultar provas que pudessem ser encontradas nos locais verificados se o sigilo tivesse sido mantido.

Seria leviano afirmar que os vazamentos tenham sido propositais nesse sentido, mas há uma equipe da Polícia Federal destacada especificamente para investigar esta possibilidade, com vistas inclusive a enquadrar os responsáveis sob a acusação de crime de espionagem. O direito a liberdade expressão amplamente suscitado pelos jornalistas na defesa de seu trabalho de informar aos cidadãos esbarra no dever do cidadão que exerce o jornalismo por profissão em cumprir a lei. E é ilegal publicar informações protegidas pelo segredo de justiça. É crime divulgar informações sigilosas.

Leia Também:
Nunca é demais lembrar do exemplo internacional, quando a colaboração estrita entre jornalistas investigativos e a polícia federal culminaram no processo de impeachment de um presidente norte americano. Todo o povo norte americano se mostrou satisfeito com as informações que recebeu do caso, mas tais informações só foram publicadas quando as investigações estavam avançadas e os implicados já não poderiam fugir de ser responsabilizados.

O Brasil ainda engatinha na consolidação de suas instituições democráticas, das quais a imprensa é um componente fundamental. É preciso que as instituições governamentais parem de alimentar no imaginário popular a sensação de que o jornalismo seja um instrumento nas mãos dos inimigos do Estado. E que a imprensa representada por seus jornalistas se conscientizem de sua importância e das responsabilidades advindas desse poder persuasor dentro da sociedade.

Quando chegarmos a este ponto, aí sim poderemos dizer que temos uma imprensa realmente livre. Uma imprensa livre dos vícios deletérios de uma sociedade em formação que precisa de uma bússola confiável que a oriente no sentido do bem estar público. Já está passando da hora dos jornalistas entenderem seu papel na história e o assumirem com responsabilidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Economia - O Conto do Vigário

Ninguém sabe ao certo como começou nem a origem do nome. Mas quase todo mundo sabe como funciona o Conto do Vigário. Alguém aparece com a promessa de lucro mirabolante. E tudo o que se tem de fazer é um pequeno investimento para levar uma grande vantagem. O folclore popular conta a história de um vigarista que, há muito tempo, convenceu uma rica família carioca de que seria procurador dos herdeiros do francês que projetou o Cristo Redentor. E vendeu o para os ricaços, prometendo que eles passariam a ter os direitos sobre a visitação da estátua.

Jornalismo - O "X" do Triplex

"- Fala companheiro, Tudo tranquilo?
- Você falou de um esquema...
- Ah, tá. É o seguinte... Sabe a Cooperativa? Então. Eu vou mandar construir um prédio inteiro só pra gente... Isso... pra diretoria... Em Guarujá. Você vai ficar com a cobertura, claro."
...
"É... Ninguém precisa pagar nada. Vou cobrar cota extra dos bancários. Eu dou os papéis de 'cotas' pra vocês, assino uns recibos e, para todos os efeitos, vocês são cooperados. Mas tem que declarar, senão vai sujar... Vou passar as mais baratas, só para constar. Não tem erro."

Economia - O Brasil e a Construção Naval

Em setembro de 1997 o BNDS expediu um relatório que pretendia expor as razões da derrocada da atividade de Construção Naval no país que fez com que caíssemos da 2ª posição no ranking mundial, e 1ª na América Latina, deixando mesmo de figurar entre os 20 países melhor colocados. O conhecimento de tal relatório é de importância fundamental para os que querem entender em que pé nos encontramos agora que retornamos ao cenário mundial e levantamentos indicam que ocupamos a 6ª posição no ranking. 
Porque, apesar de ter sido elaborado há quase 20 anos, o relatório traz informações aplicáveis a atual conjuntura. Entre outras coisas ressalta-se a certeza de que não aprendemos nada com os erros do passado. Continuamos a apostar no protecionismo  e no comprometimento do Estado em prol da incapacidade administrativa dos donos de Estaleiros e Armadores nacionais. Com resultados bastante previsíveis.