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Jornalismo - É a Crise "né?"

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A crise econômica parece ter atingido até mesmo a grande Globo News. Em virtude disso o canal resolveu reduzir despesas da única maneira que os modernos empresários sabem. Demitindo empregados. O problema deste tipo de programa de contenção de despesas é que o principal critério de escolha aponta diretamente para os profissionais mais caros às empresas. E em geral os mais bem remunerados são os melhores profissionais, os mais preparados, os que investiram na formação pessoal e que levam a sério os detalhes de uma boa apresentação.

Mas o pior que pode acontecer aos telespectadores ainda não é ter de aturar um âncora que não consegue dizer uma frase completa sem pontuá-la com um "né" a cada dez segundos, no principal informativo diário do canal por assinatura.

Ganhou repercussão a recente troca na direção de uma revista semanal brasileira, reconhecida por manter a linha editorial de críticas ao governo. No lugar do antigo editor foi colocado outro mais alinhado com o perfil ideológico supostamente defendido pelo partido político no poder. Muitos comentaristas atribuíram esta troca de comando intempestiva ao fato da revista depender dos anúncios feito por empresas estatais. A revista teria supostamente sucumbido a imposição da pauta jornalística pela única entidade que tem dinheiro e boas motivações para investir na propaganda institucional das empresas em tempos de crise econômica. A capa de uma das edições da revista dedicada aos interesses adolescentes num dos momentos mais conturbados da política e da economia nacionais seria usada como justificativa para esta análise negativa.

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Existe o temor de que a maioria das empresas seja refém da política agressiva perpetrada ao longo dos últimos treze anos pelo governo, que consiste basicamente em concentrar a riqueza do país para decidir onde deve ser investida, elegendo campeões econômicos nem sempre orientados aos interesses da nação. Esta política tem se mostrado danosa ao empreendedorismo característico dos brasileiros pelas apostas erradas que foram invariavelmente voltadas a uma ideologia obtusa. Este cenário é particularmente preocupante quando há indícios de ter atingido em cheio a imprensa.

Empresários do ramo jornalístico poderiam estar dispostos a defender a sobrevivência financeiras de suas empresas acima de tudo, cedendo aos interesses do governo em troca da distribuição do orçamento bilionário destinado á propaganda institucional que caracteriza os governos populistas, com o consequente comprometimento na imparcialidade que deveria pontuar o jornalismo independente, contaminando o conteúdo da informação passada ao público consumidor.

Um telespectador incomodado com os irritantes vícios de linguagem de um apresentador de telejornal pode mudar de canal. Pode ainda cancelar a assinatura de uma revista na medida em que nota a mudança da linha editorial para a publicação de receitas banais voltadas ao comportamento dos adolescentes que não interessam ao público consumidor de notícias políticas e econômicas.

O problema será constatar não haver diferenças entre os apresentadores remanescentes nos telejornais nem nas notícias massificadas pelo controle econômico, quando o governo tem virtualmente o poder de impor sua pauta de interesses à imprensa nacional. E não se poderá mais mudar quando tudo estiver igual.

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