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Política - Sindicalistas

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Em minha carreira como operário, que findou ano passado em razão da atual situação econômica do país, tive oportunidade de me encontrar com muitos sindicalistas. Essa convivência, por vezes forçada, me permitiu traçar um perfil mais ou menos exato do caráter dos sindicalistas.


Apesar de alguns terem concluído com muita dificuldade o ensino fundamental, são em sua maioria semi-analfabetos que mal sabem conjugar um verbo. Também são maus profissionais, os chamados "ferramentas cegas" no jargão operário, que vêem o "trabalho" no sindicato apenas como um meio de conseguirem estabilidade no emprego.

Sem a atividade sindical, seriam os primeiros a ser demitidos num eventual corte de custos. São ainda preguiçosos, detestam o trabalho que fazem e estão sempre pensando numa maneira de dar um golpe para conseguir se aposentar o mais cedo possível, de preferência com os benefícios integrais. Com este perfil egocêntrico e obtuso não servem para representar ninguém.

O partido político que usa indevidamente o nome de trabalhadores está cheio deste tipo de gente. Desses que usam a ignorância das pessoas de bem, trabalhadoras e cumpridoras de seus deveres, para obter vantagens pessoais sobre o sistema. Já ouvi muitos deles rindo da inocência de quem acredita em suas falsas promessas.

Como quando vão para as portas das fábricas se vangloriar de ter conseguido um aumento que já era garantido por lei, ou que já estava acertado antes mesmo de se convocar a primeira assembleia. Quando assinam acordos coletivos que afetam a vida de milhares de pessoas baseados no voto de algumas dezenas de cupinchas. Ou adotam o discurso dos patrões usando a ameaça de demissões em massa para obrigar trabalhadores a abrirem mão de direitos adquiridos.

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Luis Inácio não escapa ao perfil de sindicalista que eu conheci bem. Sempre colocou seus interesses pessoais acima de quaisquer outros. Sua vontade sempre foi a de chegar aonde nenhum pernambucano pobre da periferia jamais chegou. E claro, ganhar muito dinheiro no percurso. Primeiro que tudo tratou de garantir uma renda vitalícia às custas do governo pela aposentadoria precoce.

Muitos de sua estirpe teriam parado por aí, como efetivamente pararam. Mas o Lula que atirava em várias direções ao mesmo tempo com vistas a se dar bem na vida, também tentava o sindicalismo como alternativa de conseguir a estabilidade no emprego trabalhando pouco e viu na promiscuidade dos sindicatos com os patrões sua chance de ir muito além.

No entanto esta visão centrada em si mesmo e nas próprias aspirações financeiras, nem sempre amparada na devida compreensão ampla do ambiente em que vivia tornaram o esperto em vítima de suas próprias maquinações, como acontece nos contos do vigário. Não que Lula não tenha gostado de ser vítima, afinal conseguiu tudo o que almejava quando iniciou seu processo de ascensão social.

 Lula alcançou uma fama mundial que jamais imaginaria e se tornou um dos homens mais ricos do país. Nada mau para alguém que só pensava em se dar bem na vida e via em qualquer pessoa um pouco mais inteligente um potencial empecilho para seus desígnios.

A capacidade de engambelar aos trabalhadores e reuni-los em torno de palavras de ordem sem sentido prático não escapou ao agudo senso estratégico de um General do alto escalão do governo militar. Ninguém menos do que o idealizador do Serviço Nacional de Informações (SNI) viu na cupidez daquele líder sindical a oportunidade de ter os trabalhadores sob controle do sistema sem derramamento de sangue.

O Governo Militar tinha o poder necessário para reprimir as ameaças vociferadas nas portas das fábricas. Mas as consequências de uma ação violenta contra pessoas inocentes que ao final só queriam ver seus direitos trabalhistas reconhecidos poderiam mergulhar o país em uma tenebrosa guerra civil, o que por sua vez fatalmente despertaria o interesse das potências mundiais fazendo com que viessem a intervir em nosso país. Um risco que o Governo Militar não estaria disposto a correr.

É neste ponto que Lula se encaixava como uma luva. O Governo estaria disposto a fechar os olhos aos interesses escusos do sindicalista desde que ele fosse capaz de fazer o trabalhador acreditar que estava recebendo mais do que merecia das empresas. Na verdade o trabalho não exigiria de Lula nada além daquilo que ele já estava acostumado a fazer. Mas por que Lula? Porque ele era um ignorante ganancioso em busca de dinheiro, alheio às implicações políticas de suas ações.

Lula não tinha caráter ideológico, ou melhor dizendo, seu caráter estava centrado em seu umbigo. Era uma alternativa melhor do que qualquer líder com formação acadêmica e conhecimento das causas comunistas, dispostos mesmo a levar às vias de fato seus ideais. Lula era o cara certo no lugar exato em que os militares o queriam. O melhor aliado involuntário que governo militar poderia fomentar.

Enquanto outros candidatos a líderes da revolução, a maioria com menor expressão popular do que Lula, foram caçados sem piedade e muitos foram massacrados pelo regime, Lula recebeu liberdade de se movimentar nos bastidores do poder, porque ele nunca foi visto como uma ameaça. Pelo contrário. A não ser no episódio de sua prisão, que não passou de um lembrete, para que ele tivesse um vislumbre de sua posição estratégica no sistema engendrado pelo General. Um incidente que foi aparentemente superado quando ele foi reconduzido triunfalmente a presidência do sindicato.

Em 1980, o General Golbery do Couto e Silva, a inteligência por trás do regime militar, um dos idealizadores do governo que se instaurou em 1964, criador e diretor do SNI e principal responsável pelo relativo salvo-conduto dado a Lula a frente dos sindicatos, fez um discurso na Escola Superior de Guerra onde dedicou algumas palavras em referência ao já eminente líder político que Lula viria a se tornar. Dizia ele que Lula fora uma aposta num autêntico líder sindical, desprovido de "revanchismos ideológicos", mas que se sentia desapontado por ele ter se deixado atrair por "atividades mais políticas do que propriamente sindicais".

E eu aqui, 35 anos depois, receio ter de admitir que o General estava desapontado à toa. Lula é mesmo aquele tipo de pessoa que ele vislumbrara nos idos anos 70 e fez exatamente aquilo que dele se esperava.

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