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Jornalismo - Seja Honesto

A mudança de opinião deve ser seguida da atitude de repúdio à mentira, ao engodo e a trapaça. Defenda a verdade

Reacionário hostiliza petista em manifestação que pretendia ser pacíficaDurante a campanha eleitoral do ano passado, os que eram contra a continuidade do governo que aí está foram duramente agredidos ao manifestarem suas posições nas redes sociais. Havia um clima de claro desrespeito ao direito democrático dos indivíduos externarem suas opiniões. Naquela época a popularidade da presidente era de 52% contra 48% do candidato da oposição. Hoje os principais institutos  de pesquisa reportam que menos de 7% aprovam o governo. É evidente que 45% das pessoas que apoiavam a presidente mudaram suas opiniões sobre o governo.

Não há nada demais que as pessoas revejam suas posições e passem a pensar de maneira diferente daquela que defenderam há 10 meses. Faz parte do amadurecimento político a revisão dos conceitos numa sociedade democrática.


No entanto é difícil esquecer o comportamento reprovável daqueles 52% que não admitiam a oposição de ideias, apelando muitas das vezes ao enxovalho moral dos que viam a política de uma maneira diferente, outras vezes recorrendo à calúnia e a difamação e, sobretudo, à disseminação conscienciosa da mentira. Também não surpreende que a maioria desses 45% que mudaram de ideia hoje apelem para os mesmos expedientes que usaram quando eram a favor do governo. Vemos serem reproduzidas as mesmas cenas de desrespeito e intolerância do ano passado, só que desta vez contra os poucos que ainda se mantem fieis aos seus ideais políticos manifestando seu apoio ao governo.

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Tem-se observado o uso da mentira e da manipulação sensacionalista dos fatos na defesa de um posicionamento ideológico, especialmente naqueles que mudaram de lado recentemente, mas que trouxeram consigo os vícios anti-democráticos pelos quais se deixaram caracterizar ao longo do tempo em que estiveram a favor do governo. Aparentemente este grupo que hoje se declara contra as medidas do governo não sabe se comportar sem ser um típico reacionário. E isso se reflete também na permissividade da mídia, mesmo nas reportagens de jornalistas de grandes organizações da imprensa oficial.

Mas, não é possível que se venham às ruas clamar por mudanças ao passo em que não se esteja disposto a mudar primeiro o próprio comportamento. A defesa da democracia não se faz somente a partir da mudança de lado. Se alguém assume que errou ao dar crédito a propostas que ao fim se mostraram falsas, também precisa reconhecer a maneira errada como demonstraram apoio àquelas ideias. Sob pena de repetirmos infinitamente o enredo das eleições passadas, quando a mentira se sobrepujou à racionalidade e a imposição de ideias se fez pelo engodo e pela reação violenta.

Se nos declaramos defensores da verdade e da justiça, então nossas ações e palavras devem ser norteadas tão somente pela justiça e pela verdade. Há os que sempre estiveram do lado de cá e nunca se deixaram orientar por outros princípios que não estes. A mentira e o perjúrio devem ficar no passado daqueles que atualmente se arvoram no mote da defesa da democracia. Fariam bem os que agora vem somar aos que já estavam, se repensassem a forma como defendem seus ideais de um Brasil melhor.

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