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Jornalismo - A Pauta é Responsabilidade

"Grandes poderes trazem grandes responsabilidades" (Ben Parker - The Amazing Spider Man #1, 1963)  

liberdade com responsabilidade
Muito se tem discutido os limites da liberdade de expressão. Fala-se inclusive que se há que se impor limites ao que possa ser expresso, então não há uma verdadeira liberdade no sentido lato da palavra. Por outro lado o comportamento ético, no contexto de uma democracia de fato, exige que a cada direito deva proceder um dever equivalente. Não há direitos sem deveres. Se todos temos o direito de ter respeitado o caráter moral do indivíduo pela presunção da idoneidade, e daí se poder questionar judicialmente a quem publique falsidades a nosso respeito, o cidadão comum tem o dever de não proferir calúnias contra terceiros quando expressam suas opiniões, tendo por sua vez o próprio direito respeitado pelo princípio da reciprocidade.


No caso do jornalista vemos aumentada a responsabilidade na medida em que ele é um representante do que se convencionou designar como o quarto poder num regime democrático. Como tal, é compreensível que além do comportamento comum a todos os cidadãos, o jornalista esteja sujeito a um código de ética próprio da profissão, que delineia os limites da expressão de sua opinião. O repórter é, em virtude de sua formação profissional, um expectador privilegiado dos fatos devendo ater-se a narrativa fiel daquilo que observa, permitindo ao consumidor final que forme sua própria opinião sobre a informação contida na reportagem.

Dito assim, com esta simplicidade, faz parecer que seja fácil. No entanto, a depender da importância da informação e do conjunto dos interesses confrontados na apuração da notícia, a isenção do repórter pode ser testada em seus limites, eventualmente exigindo que ele se posicione em relação ao que terá de publicar mais do que ele gostaria. Vejam que nem consideraremos os casos em que há a intenção do induzimento, visto estarmos falando aqui de jornalismo e não de outra coisa. Mas nos casos em que se exige a personalização da notícia, existirá sempre o risco que a opinião emitida seja mal interpretada pondo em questão o maior patrimônio de um jornalista, que é sua credibilidade.

Ocorre que o atual governo mantém por ideologia partidária o julgamento equivocado de que a imprensa lhe seja um poder concorrente que deva ser combatido a qualquer preço, e assim em vários momentos tomou medidas para tentar desacreditá-la, algumas vezes se imiscuindo no campo que é inerente ao jornalismo pensando lograr atacá-la com suas próprias armas. O consumidor em meio ao bombardeio de informações desencontradas e até contraditórias se sente perdido.

Mas o revés da conjuntura política colocou o governo na situação delicada em que sua credibilidade foi posta em dúvida, o que é acusado pelos índices de rejeição divulgados pelos institutos de pesquisa. Decorre daí que alguns órgãos da imprensa, em especial os mais alvejados pela política agressiva da contra-informação governamental, possam entender que esta seja a hora para o revanchismo. O que se mostraria uma atitude temerária para o futuro próximo.

O Brasil está passando por uma grave crise financeira, enquanto uma revolução política concorre no curto prazo para tornar o situação crítica aos olhos do cidadão comum. A imprensa tem a obrigação de manter a população informada ao passo que, conhecedora por ofício do poder que detém, deve assumir a responsabilidade de filtrar as informações que lhes chegam a uma velocidade fora dos padrões da normalidade, e quando obrigada a emitir algum juízo de valor que o faça com a isenção inerente ao exercício de tão nobre profissão, sob o risco de agravar ainda mais um cenário que por si só já nos parece problemático o bastante, com consequências incalculáveis para o país.

Não se trata aqui da defesa da censura prévia. Que isso nunca aconteça. Mas que sejam priorizadas as notícias que atendam aos melhores interesses públicos, como convém à prática do bom jornalismo, deixando de lado as picuinhas menores que só serviriam para desestabilizar as bases de instituições que apesar dos pesares, ainda dão mostras de que funcionam. Isso sim, seria uma das coisas que merecem ser reforçadas nos noticiários. Mas sem extrapolar os limites da informação simples e direta.

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