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Política - Caindo na Matrix

O maior esquema de corrupção de um país começa pela exploração da miséria.


Saindo da Matrix para a realidade
Em 2003 começava a ser posto em prática no Brasil o audacioso projeto do Partido dos Trabalhadores de se manter por (pelo menos) 20 anos no poder. Seus idealizadores traziam na bagagem a experiência de outro país em que isso já acontecera. Impossível não lembrar da invejável longevidade de  Fidel Castro que já governava Cuba por 44 anos. Em uma carta endereçada ao então presidente Hugo Chávez da Venezuela, supostamente escrita por Fidel Castro, estaria detalhada a maneira de se manter por tanto tempo no poder. Seja a autoria verdadeira ou falsa, o certo é que Chávez se manteve fiel à receita ali detalhada e estaria no poder até hoje, não fosse ele acometido da doença que abreviou-lhe a vida. Olhando para os últimos 12 anos do governo petista, não seria demais imaginar que aqui também estivesse em andamento um esquema semelhante, dadas as muitas coincidências verificadas.
“Os pobres são maioria e têm pouca memória. Injeta-lhes esperança e acusa o passado, à Democracia de todos os seus males. Mantém-te em linha permanente com teu povo. Identifica-te com eles. Teu verbo tem de ser simples; isso lhes chega muito bem, pois tens o tempero que faz falta. Emociona-os, leva-os em consideração. Aprende a manipular a ignorância. O verbo deve ser inflamado, de autoridade e poder; não te preocupes com os ricos e a classe média, [pois] não são mais que 80% de pobres o que tu necessitas. Os ricos saem correndo se lhes fazes "Buu!!!"
 Assim começa a tal carta, delineando o que seria a primeira fase de implantação de um governo tão duradouro quanto o de Fidel. Claro que um governo voltado para os pobres precisa que haja pobres para apoiá-lo durante todo o tempo em que se pretenda manter no poder. Quantos mais pobres melhor. O texto sugere que 80% da população mantida na faixa da pobreza esteja de bom tamanho. Mas como manter tantas pessoas na pobreza e ao mesmo tempo poder contar com o apoio irrestrito delas? Nisto a carta não é explícita mas dá uma pista quando aconselha a investir na ignorância do povo. Na verdade, por este ângulo a missão torna-se muito simples. Basta convencê-las de que não são mais pobres. Vejam quantas pessoas ganham dois salários mínimos não estão dispostas a se declarar pertencentes à classe média. E quantos agraciados com uma bolsa do governo não se diriam ex-pobres.

Tendo o Brasil as dimensões continentais, além do que sendo recém saído de uma ditadura, apenas o apoio da maioria da população não seria suficiente para dar ao partido a austera aparência da democracia se mantendo por tanto tempo no poder. Num país onde cada político parece possuir uma ideia própria sobre o significado de democracia, e esta ideia nem sempre está de acordo com a do eleitorado, é necessário ter os parlamentares votando a seu favor. A classe política brasileira é muito volúvel e não é bom contar apenas com conceitos vagos como patriotismo ou fidelidade partidária. Para unificar o pensamento de tão diversificado grupo só existe uma linguagem entendida e aceita de bom grado por todos.
"Tens dinheiro, compra a fidelidade enquanto cumpres os teus objetivos. Quando consegues o que queres, se se opõem ou te aconselham, despreza-os. Envia-os a embaixadas, dá-lhes dinheiro para que se calem ou tira-os do país para que a imprensa não os utilize. Os que se oponham “planta-lhes” delitos; isso desqualifica para sempre. Por todos os meios mantém maioria na Assembléia. Mantém a teu lado no mínimo a Procuradoria e o Tribunal."
Mesmo assim seria necessário muito dinheiro para se patrocinar um tão grande esquema de corrupção que envolvesse 80% da população e ainda a avidez dos parlamentares. A carta diz que o destinatário tem o dinheiro e, na segunda fase do projeto, mostra onde países como o Brasil e a Venezuela poderiam conseguir o necessário.
"Tua empresa de petróleo é quem te produz o dinheiro do projeto. Põe uma Junta Diretora Revolucionária. Demite os técnicos e acaba com essa chamada meritocracia."
No entanto as últimas pesquisas mostram que algo de muito errado aconteceu nos últimos sete ou oito meses. O governo representado pela Presidente Dilma Roussef caiu vertiginosamente de 40% para pífios 9% de aprovação neste meio tempo. Guardado o despropósito absurdo de pesquisas eleitorais quando o governo mal começou, outra pesquisa mostra que o descontentamento com o governo Dilma pode ter respingado no principal trunfo de popularidade petista. Lula poderia perder as eleições se este quadro de rejeição não se reverter nos próximos três anos, o que coloca em cheque o projeto de permanência petista no poder.

No próximo post vamos tentar identificar o que poderia ter dado de errado num plano que parecia estar indo tão bem.

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