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Política - Diálogo Entre Mentirosos

Políticos mentem! Infelizmente esta constatação está mais do que provada em nossa sociedade



Políticos mentirosos
Desenho de Attílio Mussino
Já até faz parte de nosso folclore popular o saber que quando um político promete demais ele está mentindo. E mesmo apesar das mentiras manifestas os eleitores ainda votam neles, porque já faz parte da cultura votar em mentirosos, senão, em quem mais poderíamos votar? O eleitor tem por critério votar naquele que mente menos, ou no que pelo menos as mentiras não cheguem a alterar drasticamente o que já está estabelecido antes das eleições. Um político que promete mais dinheiro para a educação por exemplo, se ele não der mais dinheiro para a educação, o máximo que pode acontecer é a educação no país continuar a mesma coisa que está agora. Se você acha que já é educado, mais ou menos dinheiro para educação agora não vai alterar sensivelmente a sua rotina. Então você vota nele.


Acontece que não existem mentiras inocentes no meio político. No nosso exemplo, a falta de investimentos na educação pode não afetar diretamente a você agora. Mas no futuro, na medida em que o país precisar de gente especializada que possa levar adiante projetos de desenvolvimento que exijam conhecimento e tecnologia, o país passará por mais um retrocesso. Na realidade agora mesmo nos ressentimos da falta de mão de obra especializada em áreas estratégicas do desenvolvimento. Porque não houve no passado, nem há agora, nenhuma vontade política de se mudar o status da educação no país. Mas houveram muitas promessas.

Depois de uma campanha eleitoral rasteira, onde as mentiras foram a tônica dos debates, e venceu quem foi mais convincente em suas mentiras, o governo eleito veio a público conclamar a população ao diálogo. O partido da oposição, representado agora pelo candidato derrotado, veio imediatamente à tribuna do Legislativo, colocar as condições para que o diálogo aconteça.
É preciso que o diálogo ocorra, mas não se dá com gestos, mas com propostas concretas. A prática desse governo não foi a da mão estendida. ~ Aécio Neves 
 Ora, como se dá o diálogo entre mentirosos contumazes? O que podemos esperar desse diálogo?

O partido do governo apesar de todas os indícios e provas levantadas nas investigações e exaustivamente publicadas na imprensa continua negando sua participação no aparelhamento do Estado em favor de sua permanência definitiva no poder. O principal partido de oposição se melindra, na medida em que seus piores temores se concretizam, isto é, na medida em que nomes de parlamentares da sigla de oposição aparecem nas denúncias feitas por um delator premiado para delatar.

Ora, é natural que nomes da oposição apareçam nas denúncias. Afinal o esquema de corrupção foi montado justamente para comprar os parlamentares que ameaçavam votar contra o projeto do governo. O "Mensalão" surgiu da necessidade do governo em formar um bloco de maioria no Senado e na Câmara. E este bloco precisaria do voto dos que votariam contra. Precisaria do voto de parlamentares da oposição. O "Mensalão" se estabelece a partir da comprovada premissa de que parlamentares da oposição estariam dispostos a votar a favor do governo em troca do pagamento de propina.

Negar que parlamentares do partido de oposição faziam parte do esquema de corrupção é querer esconder o óbvio. É mentir descaradamente. E mentira é sempre mentira, não importa quem a conte.

Podemos então concluir que dificilmente sairá alguma proposta séria, voltada para a recuperação do país deste lamaçal de intrigas em que foi lançado, a partir deste ensaio de diálogo entre mentirosos.

Haveria ainda fio de esperança se os partidos de oposição estivessem dispostos a reconhecer a presença de corruptos em seus quadros, expulsando-os e vindo a público confessar sua mea culpa na atual condição em que o país se encontra. Mas eles temam que a expulsão de parlamentares venha a enfraquecer ainda mais o bloco da oposição, minguando seus quadros. Uma verdadeira sinuca de bico.

Então escolhem negar. Mentem para manter seus números, se esquecendo que, na medida em que se comprovam a participação dos parlamentares esses números acabarão por minguar e da pior forma. Seus associados poderão ser denunciados e presos. E os partidos de oposição serão acusados de não tê-los alijado assim que souberam das suspeitas de envolvimento. E novas mentiras serão contadas para justificar as mentiras anteriores, num círculo vicioso. Até que não haja mais esperança.

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