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Política - Recuo Estratégico

O PT é um partido de oposição


O PT é um partido de oposição
Desde sua criação em 1980 até a eleição de Luiz Inácio da Silva à presidência da República, o PT sempre foi fiel à vocação oposicionista.  A princípio ancorado nos exemplos de regimes socialistas existentes quando de sua fundação, o partido cresceu e se caracterizou pela ferrenha oposição aos partidos que apoiavam os governos anteriores. Neste sentido, nem sempre se importou com a avaliação objetiva da validade dos planos propostos pela situação. O PT foi contra o José Sarney e o seu Plano Cruzado, contra o Fernando Collor com o sequestro da poupança e contra o Plano Real do Itamar Franco. Importava ser contra. Afinal o PT é um partido de oposição.



“Às vezes, [damos] a impressão de que somos oposição ao nosso governo” 

Rui Falcão, Presidente nacional do PT

Tendo de passar boa parte de seu governo a administrar a parte nefasta da herança deixada por Luiz Inácio, a Presidente Dilma Roussef teve de reformular seu ministério a cada vez que um ministro indicado por seu padrinho era acusado de envolvimento em casos de corrupção ou tráfico de influência, muitas das vezes tendo de fazer escolhas às pressas, talvez sem a devida avaliação do mérito dos substitutos. Mas sempre contando com as indicações do partido.

Esta fidelidade acabou custando o índice de aprovação da presidente por parte de um eleitorado que a elegeu com uma margem de de 56% dos votos válidos. Atualmente consta que tal índice esteja em torno de 40%, o que não é pouco, se levarmos em conta a diversidade cultural do povo brasileiro. Acontece que, aparentemente, 40% de aprovação é muito pouco para o partido da presidente. Se for verdade que o Partido dos Trabalhadores tem um plano de permanência no poder à longo prazo, 40% de aprovação do eleitorado não daria nem para o começo, a não ser que o Mensalão tivesse funcionado. Sim porque o Mensalão trataria de anular qualquer oposição ao governo da presidente Dilma, de modo que mesmo  se precisasse disputar um segundo turno, suas decisões já estariam automaticamente aprovadas na Câmara, sem nenhuma objeção por parte dos parlamentares.

Mas não é este o quadro que se vê. O Mensalão foi desbaratado por causa da ganância de quem achava que estava ganhando pouco no esquema. A presidente voltou a ser dependente do crivo da Câmara e do Senado como é comum em qualquer democracia republicana. Isso não é bom para o PT que sonha com a implantação de um sistema socialista totalitário no Brasil. Porque, ainda que seja difícil conseguir tal aprovação direta do povo, seria fácil implantá-lo, se o Congresso e a Câmara dos deputados aprovassem, uma vez que nossa democracia é delegada, e o que nossos representantes aprovam, teoricamente representa nossos anseios.

Os fatos são que o Mensalão falhou e a aprovação do governo Dilma está cambaleante em torno dos 40% de aprovação da população. Diante desta realidade, o PT parece não ver outra alternativa a não ser o recuo estratégico. O PT voltaria a ser o grande partido de oposição que sempre foi depois das últimas eleições e abandonaria por um tempo seu sonho de domínio totalitário.

Os sinais desta retirada estratégica são visíveis a partir da falta de apoio que a presidente tem encontrado nas bases do partido. Como se os atuais índices de reprovação do partido se devessem única e exclusivamente às ações do governo da presidente e não aos exageros que a liderança do partido tem cometido ao longo dos últimos doze anos em defesa dos políticos corruptos de suas fileiras. Para o partido, os companheiros sempre tem razão, mesmo que a própria razão a desconheça.

Dilma está sendo fervida em azeite bem diante de nossos olhos. Sua cabeça foi oferecida como prêmio aos que não estão satisfeitos com os rumos que o governo de seu partido tomaram. Nenhuma ação será tomada para que se reverta esta situação. Aparentemente o PT evitará  o desgaste que tal luta poderia lhe trazer. Afinal não se podem negar as evidências. Melhor dispender esforços para salvar os dedos do que investir numa luta inglória pelos anéis. E  salvar os dedos para o PT significa resguardar os líderes do Mensalão que ,não por acaso, formam a cúpula do partido.

Para livrar a cúpula do partido da cadeia vale tudo. Até mesmo subverter a justiça perante os olhos do povo. Vale mesmo negar o que todos veem. Vale negar de todas as formas que a cúpula do partido se transformou numa quadrilha preocupada com a manutenção do poder. Que se dane o governo da Dilma. Amanhã será outro dia e o povo tem uma memória reconhecidamente curta.

De volta à sua origem, como o partido de oposição que sempre foi, o PT tem plenas condições de inviabilizar qualquer governo que venha a sucedê-lo. Muita gente dentro da política deve favores ao PT. Muitos partidos tem o rabo preso nas maracutaias tramadas e executadas pelo PT. De forma que seria fácil ao PT agora formar uma frente de oposição, tornando o próximo governo tão ineficiente que enfim faça com que os brasileiros sintam saudades do PT, apesar de todas as denúncias de corrupção. E no final, o PT espera que o povo o aclame como o único partido que consegue fazer alguma coisa, independente de seus resultados serem bons ou maus para o país.

O PT está recuando de suas ambições totalitárias. Que se cuide o próximo governo eleito.

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