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Opinião - O Susto

Rolezinho é febre entre jovens e adultos
Rolezinho inglês em 2009 - 13.000 pessoas fecham metrô, para dançar.
Faça um exercício de empatia e se coloque no lugar de um agente de segurança no estacionamento de um shopping center que, de repente, é invadido por milhares de adolescentes vindos de todas as direções, sem que você tenha a mínima noção do que está acontecendo. O que você faria? 
Isso que aconteceu em São Paulo. Um grupo de adolescentes resolveu copiar uma ideia que já existe desde de 2003 nos Estados Unidos e que se espalhou também pela Europa. Eles marcaram um super encontro através das redes sociais e escolheram aquele estacionamento como ponto de concentração. Até ai nada demais. Afinal que mal há em adolescentes se encontrando no estacionamento de um shopping?

 Os americanos chamam este tipo de manifestação espontânea das massas de "Flash Mob" (algo como mobilização repentina). No Brasil os garotos pegaram emprestada de seus pais uma gíria antiga e colocaram no diminutivo. No meu tempo "dar um rolé" (pronunciava-se o "é" aberto) significava sair a passear, apenas pelo passeio, sem um objetivo definido. Já o rolezinho, com o "ê" fechado da mídia gramaticalmente correta, virou quase um palavrão, dadas as circunstâncias em que o evento tem sido abordado.

Mas o que deu errado desta vez? Por que a reunião descompromissada de um grupo de garotos veio a merecer tamanha atenção midiática? 
Penso que é esta a palavra que responde a esta pergunta. Tamanho! Convenhamos que seis mil pessoas se encontrando de repente, em um lugar tão inusitado quanto um estacionamento assusta. Especialmente se elas afirmam que estão se reunindo sem nenhum motivo aparente.
Apenas para "dar um rolé"? Seis mil pessoas? Num estacionamento? Ah, tá bom!

Se você fosse o agente de segurança deste estacionamento, o que você pensaria, vendo a multidão crescer com a agitação natural que os adolescentes tem? O barulho, o falatório, a gesticulação. O coitado foi cumprir com sua obrigação. Pedir que eles se retirassem. Imaginem, seis mil pessoas tomando o lugar dos carros. Não pode! Contam que houve bate-boca. Contam que houve excesso, de parte a parte. A solução do impasse parecia bem simples. Se no estacionamento não pode, vamos para os corredores do shopping. As crianças hoje em dia não gostam de ser contrariadas em seus caprichos. E os adultos deveriam compreender isso. O estatuto da criança e do adolescente não foi redigido por adultos? Pois então. Deu no que deu. Seis mil crianças e adolescentes, que uma vez tiveram a feliz ideia de encontrar pessoal,mente seus fãs da internet e que por falta de um lugar melhor escolheram o espaçoso estacionamento de um shopping center de São Paulo, e ao descobrirem que não podiam se concentrar ali, obedeceram quase que prontamente à ordem dos mais velhos: "circulando, circulando". E lá foram os seis mil circular pelos corredores do shopping. A bagunça generalizada incomodou a todos, evidentemente. Mas crianças hoje em dia fazem bagunça até nas escolas. Por que esperar que elas se comportem de outra forma nos shoppings?

O que realmente assusta aos manipuladores da opinião pública é a capacidade de mobilização que as redes sociais tem demonstrado nos últimos anos. Os adultos em geral restringem o compartilhamento das redes sociais aos seus trinta ou no máximo cinquenta amigos virtuais (com raras exceções) e gastam boa parte de seu tempo publicando seus indefectíveis "kkkkkk" para alguma piada sem graça, só para mostrar a todo mundo que está "antenado". Mas neste caso existe uma clara inversão de valores. São as crianças que estão mostrando o verdadeiro poder por trás das inocentes redes sociais aparentemente criadas para alienar as pessoas. Por isso existe esta preocupação das autoridades em cortar este grande mal pela raiz.

Eu queria finalizar esta postagem falando o que eu penso dos políticos que não perdem uma oportunidade para aparecer em ano eleitoral mesmo que seja dizendo um monte de besteiras. Mas tenho lido por aí que está em tramitação uma lei que pode multar quem fala o que pensa da politicagem brasileira. E eu sinceramente tenho mais medo disso do que dos rolezinhos.


Comentários

  1. mas, essa censura está começando sim ... ditadura de opiniões está sendo feita já há uns dois anos ... eu já percebei

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  2. Eles estão despertando para o verdadeiro poder (e o temem) Vlad. O poder emanando espontaneamente do povo, pelo povo e para o povo. Não há nada mais temível para um populista hipócrita do que ver a democracia fugir ao controle de sua retórica vazia.
    Hoje é só um rolezinho inocente (e por isso mesmo perigoso) juntando seis, dez mil crianças. Mas as crianças crescem. E isso assusta.
    Hoje é só "vamos ao shopping zoar?"
    Amanhã pode ser "Vamos às urnas mudar o país?". E aí, vai que...

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