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Comportamento - Homo Marsupialis

As pessoas não vivem sem bolsas
Primata, do gênero homo, o Marsupialis tem tudo para se firmar como o próximo passo evolutivo da espécie humana. Os primeiros sinais da mutação foram detectados nas fêmeas da espécie, que gradativamente se tornaram dependentes do que a princípio foi encarado como um apêndice sem importância. Mas, provavelmente devido à ação da seleção natural, hoje em dia percebemos que é quase impossível observar uma mulher que não esteja com uma, duas, ou até três bolsas das mais diversas cores, formatos e tamanhos. Acredita-se mesmo que mulheres sem bolsa não sejam capazes de se adaptar às necessidades criadas pelo meio ambiente atual e que por isso mesmo estejam em vias de extinção.



Nos machos o fenômeno se deu de maneira quase imperceptível. No princípio eram as capangas. Os homens começaram a sentir a necessidade de carregar consigo itens para os quais as carteiras já não davam conta. Foi quando passaram das capangas de mão para as usadas à tiracolo, então nas cinturas e finalmente as grandes mochilas nas costas.

Uma das principais características desta espécie seria a notável perda da noção espacial, como se não estivessem plenamente adaptados à sua nova condição. Os membros desta espécie ainda se movimentam como se  não carregassem o apêndice extra que os caracteriza o que lhes dificulta a mobilidade própria e dos outros principalmente quando se movimentam em lugares com espaço reduzido como em ônibus, por exemplo. Alguns já chegaram ao ponto de tratar suas mochilas como extensões de si mesmos. de modo a ocupam sozinhos lugares originalmente projetados para duas pessoas.

Ainda é cedo para os cientistas estabelecerem se tratar de um espécime de transição que, com o passar do tempo, ainda possa dar lugar a outra espécie melhor adaptada ao ambiente caótico em que vivemos, ou se estamos diante de uma espécie definitivamente estabelecida. No entanto o crescente número de filhotes cada vez mais jovens desta espécie portando mochilas desproporcionais aos seus tamanhos, trazendo consigo a característica supracitada conforme herdadas de seus pais, pode ser um indício de que a mutação seja permanente.

Não está descartada ainda probabilidade remota de que eles possam estar fadados ao autoextermínio devido  a outra característica marcante, esta decorrente da primeira, que seria a patente dificuldade de convivência em grupo.

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