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Religião - Francisco, Entre o Pop e o Papa

Escrevo este texto no momento em que o recém empossado Papa Francisco preside a Vigília Pascal, instando a seus súditos que deem oportunidade a reaproximação com o Cristo:
Popularidade do Papa
"Deixe o Cristo ressuscitado entrar em sua vida, acolhê-lo como a um amigo, confiante de que ele é a vida. Se você o tem mantido à distância  até agora, dê um passo à frente e ele o receberá de braços abertos."


 A sinalização do perdão tem sido a tônica dos primeiros dias de seu pontificado. Isso pode remeter aos eventos que antecederam a renúncia de Bento XVI em favor de um novo Conclave que consequentemente elevou o Cardeal Bergoglio ao cargo de Papa. Talvez ninguém dentro da Igreja Católica esteja mais ansioso por este propenso perdão cristão, propalado na doutrina do Novo Testamento, do que os sacerdotes que traíram a confiança de seus líderes, transformando a Igreja num antro de perversidades aos olhos do mundo.




Os casos de pedofilia denunciados na mídia e devidamente explorados pelos inimigos da religião, junto ao suposto dossiê que equipararia efemérides da Cúria aos piores mafiosos do colarinho branco e que deixaram sulcos indeléveis na imagem da Igreja levando, segundo se supõe, à renúncia de um Papa, colocam o Cardeal Bergoglio numa situação delicada.

Em que pese a relativa tranquilidade com que o pop João Paulo II atravessou os 22 anos de seu pontificado, ele foi acusado de ter relegado a governança do Estado Vaticano na conta de subalternos, enquanto se dedicava às inúmeras viagens que o tornariam um dos papas mais populares da história. De fato não foi editado nenhum documento que efetivamente sinalizasse na direção da reformulação eclesiástica almejada por muitos teólogos de confissão católica durante seu governo.

Joseph Ratzinger sucedeu a João Paulo II sugerindo sua disposição em assumir a condição de Papa, mesmo que isso lhe custasse a popularidade. Ele teria deixado claro, na medida em que as comparações pareciam inevitáveis no começo, que os fiéis não deveriam esperar dele um comportamento semelhante ao de seu antecessor, declarando-se diferente dele em vários aspectos. Mas Ratzinger seria tolhido em seus anseios de reformular sua Igreja, reconduzindo-a aos moldes estabelecidos nos primórdios, em conformidade com as doutrinas do Evangelho. Sua saúde frágil logo lhe convenceria de que as necessidades de uma Igreja que desmoronava aos olhos acusativos do mundo infiel eram grandes demais para ele.

É neste cenário que surge o nome de Francisco, o carismático, como propenso salvador da pátria vaticana, com a missão premente de reformular as bases do governo da cristandade católica, tendo a urgente necessidade de escolher entre ser pop e ser Papa.

Quem sabe, se Francisco escolher tomar à pulso a decisão de assumir efetivamente a direção de sua governança, amparado na premissa da infalibilidade papal, concretize o milagre de sanear os pátios da Igreja, tomados de assalto pelos vendilhões e salteadores que tem maculado seus templos ao longo do último século, logrando assim alcançar aquilo que seus antecessores não conseguiram. A façanha de liderar a Igreja com a firmeza necessária, segundo os princípios inabaláveis da dita sã doutrina como Papa de fato e de direito, ao passo que  de quebra venha ainda a ser considerado Pop, pelos que anseiam por mudanças.

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