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Economia - Semana Ruim de Eike Batista

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Contam que no passado remoto os Césares tinham por hábito mandar matar os coitados dos mensageiros portadores de más notícias. Eike Batista parece que resolveu reeditar o costume dos imperadores ao exonerar Paulo Mendonça do cargo de Presidente da petroleira OGX juntamente com sua diretoria. O pecado deles foi anunciar os verdadeiros números da produção do campo de Tubarão Azul, inicialmente com uma capacidade de produção estimada em 20.000 barris de petróleo por dia, mas que mal chegou a média de 5.000 barris diários. Com o anúncio oficial as ações da empresa, que já apresentavam uma tendência de queda, despencaram fechando a quinta feira com uma perda acumulada de mais de 25%. Tendência que se confirmou ontem (29/06) fechando o pregão valendo 19% a menos.

Deixando para os especialistas as análises destes números e das consequências que isso possa ter na economia  brasileira (afinal estamos falando de uma desvalorização na casa dos 13 bilhões de reais em dois dias, suficientes para levar à lona qualquer empresa menos respaldada), salta aos olhos o papel da imprensa na propensa supervalorização da empresa antes deste choque de realidade. As mídia tendem a querer suprir uma aparente necessidade que o povo brasileiro tem de idolatrar alguém em cada um dos diversos segmentos da sociedade. Neste sentido Eike Batista preenche com folga os requisitos do ídolo ideal na área econômica. A representação pelo vendedor de seguros que se tornou o 10º homem mais rico do planeta, com seu toque de Midas capaz de transformar papel em ouro, é tudo o que a veia empreendedora de uma razoável parcela da população brasileira precisa para se sentir parte dos negócios bilionários no cenário mundial.

Não sei dizer se para felicidade ou infelicidade nossa, chega uma hora que a bolha de otimismo inflada pelos colunistas econômicos precisa se encontrar com a agudez dos números, e não é raro que aconteça o que aconteceria com qualquer outra bolha inflada artificialmente. Ela explode, nos revelando a fragilidade que a  aparente solidez da iridescência saponácea teimava em ocultar.  A frieza da matemática econômica agora coloca Eike Batista em 28º no "ranking" dos homens mais ricos do mundo, o que ainda é muito para os padrões brasileiros, mas que para ele significa ver se afastar a realização do desejo de se tornar o número 1 até 2015. E leva junto para baixo outros tantos, não tão abastados quanto ele, que ousaram embarcar no sonho do toque aurígeno de Eike Batista.

Não posso terminar este ensaio sem reconhecer a coragem e a determinação de Eike Batista que, para resgatar sua credibilidade um tanto arranhada pelos últimos episódios envolvendo apostas altas demais para a maioria dos investidores, demitiu sua diretoria e colocou na presidência da empresa a Luiz Eduardo Guimarães Carneiro, segundo ele "o melhor profissional na área de produção de petróleo". Ao substituir Paulo Mendonça, Eike não deixou de sugerir nas entrelinhas que o fracasso dos primeiros dias de exploração do poço de Tubarão Azul se deveu a incompetência da antiga diretoria, mais uma vez empenhando sua palavra na garantia de que o petróleo está lá. "Nós não precisamos mais achar petróleo. Nós já achamos muito. Agora é hora de produzir" disse ele. Para quem sabe ler, pingo é um sinal em cima das letras.

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