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Esportes - Seleção de Mano Menezes Está Pronta


Messi leva vantagem sobre Neymar - Foto UOL Esporte
Messi leva vantagem sobre Neymar - Foto UOL Esporte
A fase de confrontos preparatórios da nossa Seleção Olímpica de Futebol terminou hoje com ótimas perspectivas. Mesmo que considerássemos apenas os quatro últimos jogos, com duas vitórias e duas derrotas, ainda assim eu julgo que o saldo foi positivo para a seleção do Mano Menezes. Os menos otimistas talvez prefiram avaliar a partir dos dois últimos jogos, que resultaram em uma derrota para o México e outra para a Argentina hoje, 09 de junho, esquecendo que a reta final desta fase foi marcada pela invencibilidade de 9 jogos, sendo 7 vitórias consecutivas, uma delas sobre a seleção principal da Dinamarca, que hoje mesmo bateu pelo placar de 1X0 a conceituadíssima seleção da Holanda no jogo pela Copa da UEFA Euro 2012.


Ao analisarmos apenas os quatro últimos amistosos disputados pela seleção brasileira não podemos desconsiderar o fato de termos uma seleção em formação, composta principalmente por jogadores em idade olímpica, jogando contra as seleções principais de países com alguma tradição no futebol, participantes de competições importantes como a Copa da Europa e as Eliminatórias Sul-Americanas. Fatores bastante previsíveis contaram para as duas derrotas do Brasil. Por um lado a experiência dos jogadores mexicanos que souberam anular o ímpeto juvenil do selecionado brasileiro e por outro o talento incontestável de Leonel Messi, capaz de surpreender até mesmo as defesas do melhores times do mundo.

Na avaliação da derrota de hoje ainda precisamos computar um dado importante: Os garotos do Brasil  conseguiram realizar um jogo taticamente equilibrado, decidido no detalhe e na extraordinária capacidade técnica de um jogador acima da média. Contou contra nós um pouco da inexperiência relativa na comparação com o time argentino e o nervosismo natural por estarem enfrentando um time tarimbado em competições oficiais.

Neste ponto sinto necessidade de falar daqueles jogadores convocados para chamar a si a responsabilidade e decidir os jogos mais difíceis. O Hulk foi uma grata surpresa para mim se adequando rapidamente às exigências do treinador e sendo decisivo nos jogos em que participou. Enquanto Neymar, Leandro Damião e Alexandre Pato ficaram devendo uma boa atuação. O talento e a habilidade técnica destes jogadores é incontestável, pelo que eles fazem em seus times de origem. Então o quê?

Me parece que esta seleção sofre de um problema que começou quando a participação da comissão técnica nos resultados passou a ser superestimada. O fantasma da "obediência tática" ronda esta seleção como já rondou outras seleções mal sucedidas. Antigamente (falo de há pelo menos uns 35 anos), o técnico distribuía o time em campo e determinava o posicionamento tático de cada jogador, com uma ou duas exceções. Quando o craque do time perguntava onde ele deveria jogar o técnico dizia simplesmente "jogue o que você sabe". E o resultado eram atuações memoráveis que consagravam nossos melhores jogadores.

Hoje os técnicos tendem a sacrificar a arte e o improviso criativo de nosso futebol em favor de um esquema mecanizado, que amarra uma bola de ferro na perna dos jogadores diferenciados. A cada tentativa do Neymar de tentar resolver o jogo com uma jogada de efeito, por exemplo, ouvíamos o Mano gritar pelo áudio aberto  do banco: "Neymar, Neymar, não Neymar. Fica aqui!"

No caso do Leandro Damião me parece ser ainda pior. Ele é obrigado a jogar de costas para o gol, servindo de pivô para os companheiros que vem de trás, os quais muitas vezes demonstram uma competência menor que a dele na conclusão em gol. Observávamos nitidamente o jogador deslocado, tentando realizar uma tarefa à qual não está acostumado. Este esquema funciona bem no basquete, mas tem se mostrado inócuo na dinâmica do futebol. O Alexandre Pato me parece nitidamente fora de forma, uma aposta do Mano baseada muito mais no que ele já fez do que pelo que vem fazendo. Menos mal que nos livramos de uma provável "Ganso-dependência". O Oscar se adequou muito bem à função de organizador do time, que caiu muito de produção com a saída dele no segundo tempo.

Apesar destas observações, acredito na capacidade do Mano Menezes em resolver estes detalhes no tempo que resta até o início da Olimpíada. Faço um balanço positivo do time que representará o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres, avaliando que entraremos na competição um nível acima das demais seleções olímpicas. Afinal não é qualquer seleção que mete três gols na Argentina de Messi e companhia, especialmente levando-se em conta o atual estágio de preparação daquele time.

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