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Política - Rio+20, Trocando em Miúdos

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A Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD), organizada com base na  Resolução 64/236 da Assembléia Geral da ONU está acontecendo esta semana no Rio de Janeiro. O evento é referido pelas mídia pelo nome de Rio+20, em alusão aos vinte anos desde a realização da primeira reunião mundial em torno do tema. Se, há vinte anos, apenas 3% dos brasileiros afirmavam entender do que se tratava na Rio-92, agora este contingente aumentou para pouco mais de 20%, segundo pesquisa divulgada pelo nosso Ministério do Meio Ambiente no último dia 6 de junho. Ao passo que estes números podem demostrar um relativo aumento do interesse da sociedade com a maneira como os recursos naturais tem sido explorados e pela busca por soluções da parte dos governos mundiais, também servem para observarmos que ainda há muito o que se investir em informação se querem que um número maior de pessoas esteja engajado nas questões ambientalistas nos próximos 20 anos.

Mas por que não houve um esforço concentrado de conscientização das massas por parte da imprensa ao longo destes anos, ao ponto de agora estarmos diante de um evento mundial tão importante sem saber praticamente nada de seus objetivos?



Um dos motivos aventados para esta alienação da maioria do público em relação ao evento talvez esteja na abordagem superficial que a imprensa lhe dedica. Segundo Washington Novaes, supervisor de Biodiversidade do Repórter Eco da TV Cultura de São Paulo, a imprensa brasileira não participa adequadamente do esforço de divulgação dos trabalhos desenvolvidos em eventos como este. Para Novaes as mídia tendem a passar para o público a impressão de questões ambientais é um assunto de "hippies" ou de "profetas do apocalipse" ou ainda, quando não, fazem parecer que ecologia seja um assunto que deva ser discutido à parte da política ou da economia (Leia aqui ).

Entrevista de Washington Novaes

Washington Novaes em entrevista ao programa do Observatório da Imprensa, exibido pela TV Brasil em 12 de junho, fez uma crítica interessante à atuação da imprensa na divulgação dos eventos que abordam a sustentabilidade. Ele observou que estas discussões abordam "questões que atingem muitos interesses e as mídia temem as repercussões que isso pode ter sobre elas mesmas, se as tratarem com profundidade". Ele explicou que empresas privadas, entidades governamentais e agências de publicidade , elementos fundamentais para a manutenção financeira das empresas jornalisticas, podem se sentir afetadas pelo comportamento das mídia. E citou como exemplo o fato de que "Temos no Brasil uma frota atual de mais de 30 milhões de veículos, a maior parte concentrados nas cidades. A previsão é que cheguemos a 2020 com 70 milhões de veículos nas cidades" O problema estaria em como os meios de comunicação poderiam abordar este tema específico com a devida importância sem melindrar os setores automobilísticos que respondem por uma expressiva fatia de seus ganhos, por exemplo. A Rio +20 pretende definir uma agenda ambiental para as próximas décadas tendo como foco a avaliação  quanto ao cumprimento dos compromissos políticos assumidos há 20 anos pelos líderes mundiais na Rio-92, além de garantir a renovação e a abrangências destes compromissos em áreas não contempladas antes. A julgar pela falta de consenso dos tópicos abordados ainda agora quando corre o debate preliminar que decide as pautas do encontro, ainda há muito a ser feito, enquanto paira sobre os participantes do fórum um  sentido de urgência pelas declarações pessimistas dos cientistas que se reuniram previamente para discutir sugestões que possam inspira as políticas públicas nos próximos anos. O trabalho daqueles que estão imbuídos do sucesso da Rio+20  poderia ser facilitado, se houvesse uma mobilização massiva da sociedade a fim de pressionar seus representantes a tomar as decisões necessárias pela representatividade do povo. Mas é difícil pensar em uma pressão efetiva do grande público, quando quase 80% da população do país sede da conferência sequer entende do que se trata. Muito por culpa da imprensa que insiste numa abordagem dúbia, superficial e muitas vezes equivocadas de assuntos tão prementes.

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