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Jornalismo - Caso Matsunaga

Caso Matsunaga
Elize Matsunaga
Mais uma vez vemos a sociedade brasileira obrigada a se confrontar consigo mesma e com os limites que o ser humano estaria disposto a ultrapassar na defesa de suas expectativas egotistas, não levando em conta as consequências de seus atos para com terceiros. Desta vez, vimos uma jovem senhora de trinta e oito anos,  da classe média alta de São Paulo, mãe de um bebê de um ano, dar um tiro na nuca do companheiro em seu apartamento, arrastá-lo para o banheiro de empregada, esquartejá-lo com a precisão cirúrgica de quem tem conhecimentos de anatomia, colocar os pedaços em malas e sair tranquilamente do prédio guiando o próprio carro a fim de se livrar dos restos mortais do marido na beira de uma estrada qualquer, como quem joga o lixo fora.

Fico imaginando se esta moça não seria aquela que junto a toda a sociedade se emocionou ao saber que os pais de uma menininha foram capazes de jogá-la do sexto andar de um prédio. Se ela não manifestou asco ao saber que uma jovem, quase sua xará, fora morta e esquartejada covardemente e sua carne foi usada para alimentar os cães. Ou se ela não se desesperançou ao ver nos noticiários que uma adolescente tinha matado os pais a marretadas para ficar com a herança. Quem sabe mais recentemente ela não teria se revoltado até quando foram divulgadas as imagens de uma mulher torturando um cãozinho até a morte na frente de uma criança pouco mais velha que sua própria filha.

Que tipo de gente seria capaz de tão revoltantes atos de atrocidade?
Nós não! Nós somos pessoas equilibradas, sensatas, incapazes de tais arroubos doentios. Nós jamais reagiríamos com tal frieza homicida diante da traição covarde de alguém. Nem mesmo ante a possibilidade da perda de poder, de dinheiro ou do amor abnegado a que temos direito a partir do momento que dedicamos nossas vidas ao projeto de uma vida inteira. Nós não somos assim. Somos pessoas comuns, que nos emocionamos, nos revoltamos e nos surpreendemos cada vez que nos damos conta de que em nosso meio podem existir pessoas assim.
Nós somos exatamente iguais esta boa vizinha, mãe ciosa e esposa dedicada era há menos de duas semanas.

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